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Caravana Petrobras da Cultura

Cliente:

Petróleo Brasileiro SA - PETROBRAS

Problema:

Dar mais visibilidade às ações de Relacionamento com Comunidades da Petrobras, ampliando o alcance do Programa Leia Brasil para além de suas atividades intraescolares.

Causas do Problema:

No segundo ano de atividades das Bibliotecas Volantes da Leia Brasil, o Projeto se deparou com o seguinte problema: as bibliotecas volantes e suas ações estruturantes de formação de alunos e professores leitores eram excepcionalmente bem recebidas pelas escolas e no meio acadêmico (tendo, inclusive, sido elogiadas pelo Presidente Fernando Henrique no seu programa semanal de Rádio), mas não tinham penetração maior junto à população circunvizinha às escolas, e não tinha nenhuma visibilidade midiática - lembrando que estamos falando de 1993, nos primórdios da internet.

A Petrobras precisava de visibilidade e, mais uma vez, fomos informados de que o projeto seria descontinuado.

Agravante:

As Bibliotecas Volantes já faziam sucesso pelas ruas do Rio de Janeiro. Seu colorido interno e externo, seu foco na criação de um momento lúdico dentro de escolas soturnas, mostrava o quanto elas eram capazes de incentivar a leitura num período crucial para o desenvolvimento humano: o início da Era da Informação.

Naquele momento o Brasil integrava um grupo nada virtuoso como uma dos dez países mais populosos do mundo, com o maior contingente de analfabetos absolutos. Pior: 67% da população se configurava como analfabeta funcional - pessoas que liam sem extrair significado do texto.

​Certamente, emprestar livros em praças e comunidades de periferia traria outra visibilidade para o Leia Brasil. Mas os custos e as dificuldades para recuperação do acervo inviabilizaria qualquer projeto neste sentido.

Como solucionar esse problema?

Solução:

Nada mais simples: por que não utilizar as Bibliotecas como pano de fundo para ações de incentivo à leitura, sem necessariamente emprestar ou doar livros?

Com o apoio da Prefeitura, então sob gestão de Cesar Maia, e de Neuza Amaral, sua Assistente Especial para a Cultura, programamos uma manhã de atividades culturais na quadra esportiva da Associação de Moradores da Rocinha, no alto daquela que então se considerava a maior "favela" brasileira.

Numa manhã de sábado, subimos a Estrada da Gávea com as duas Bibliotecas e uma trupe de artistas: Benita Prieto e Lucinha Fidalgo como Contadoras de Histórias, o Grupo Hombu de teatro com Ou isto, ou aquilo, de Cecilia Meireles...

Lotamos a quadra com pais e crianças se revezando às centenas entre 8 e 14 horas.

E então aconteceu um caso fortuito: um menino de aproximadamente 10 anos, aluno da Escola Municipal Manoel Cícero, na Praça Santos Dumont, na Gávea - escola atendida pelas Bibliotecas volantes com seu clube de leitura - reconheceu o projeto e se apropriou dele no momento em que uma equipe da Rede Globo registrava a ação. Aos pulos de entusiasmo, com sua carteirinha do Clube de Leitura nas mãos, ele gritava: "eu sou sócio desse caminhão!"

No jornal de domingo, sua foto estampava a capa do jornal O Globo, dando início àquele que se tornaria o segundo maior Programa Cultural da Petrobrás por duas décadas: a Caravana Petrobras da Cultura.

Meses depois a Petrobras recebeu, do Vereador Maurício Azedo, uma Moção de Congratulações pelo trabalho cultural.

Desfecho:

Por um ou dois anos a Caravana ficou vinculada às Bibliotecas Volantes da Leia Brasil, e restrita ao Município do Rio de Janeiro. Já em 1995, com a ampliação das Bibliotecas Volantes para a Região dos Lagos no noroeste fluminese, para São Paulo e Minas Gerais, a Caravana começou a ganhar autonomia, exigindo outra estrutura e equipamentos.

Logo se tornou um grande circo sem lona, apresentando-se aos sábados e domingos em diferentes cidades de todo o Brasil. Uma equipe de 35 artistas, 10 assistentes e motoristas, supervisores e coordenadores de campo se deslocava com 45 toneladas de equipamentos em uma carreta; caminhão de som; ônibus rodoviário e veículos de apoio.

​Em oito anos de atuação percorreu mais de 600 cidades entre a Amazônia e o Rio Grande do Sul, entre a Bolívia e o Rio Grande do Norte, recebendo centenas de Moções de Congratulações de Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas brasileiras.

Muitos de seus atores seguiram carreira na Televisão e muitos artistas circenses sairam da Caravana para o Cirque de Soleil e outro grandes circos europeus.

No final de 2001, com a saída de Joel Rennó da presidência da Petrobras, a Caravana foi descontinuada pela empresa.

Para saber mais sobre a Caravana, acesse www.leiabrasil.org.br

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