
Olimpíadas no Rio - Iate Clube do Rio de Janeiro
Cliente:
ICRJ - Iate Clube do Rio de Janeiro
Problema:
A escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, pareceu à Diretoria do Iate Clube, dono de uma extensa faixa de terra voltada para o principal cartão postal brasileiro (a ensada de Botafogo), a oportunidade certa para arrecadar recursos, através de publicidade, para promover reformas de modernização em sua sede, aparelhando, também, suas instalações para a equipe de Vela, modalidade esportiva em que o Brasil possui mais medalhas Olímpicas.
Causas do Problema:
Em pouco menos de cem anos de existência, o Iate Clube, fundado pela elite brasileira sob o comando de Arnaldo Guinle - dono do Porto de Santos e do Copacabana Palace Hotel - teve uma ocupação desordenada ao longo de décadas, promovendo sucessivos aterros sobre o espelho da baía e acumulando pequenos prédios ao redor de seus antigos e charmosos hangares.
A estrutura murada acabou tornando a passagem entre a Urca e a Praia de Botafogo num terreno deserto, propício a assaltos e furtos de automóveis, angariando críticas e má vontade por parte de urbanistas, governantes e a opinião pública.
Os Jogos do Rio se tornaram, então, uma razão imperativa para promover uma revisão da ocupação e usos do solo, abrindo espaço para que algumas delegações estrangeiras ficassem em suas dependências, e a Comodoria nos solicitou um estudo para promover esta mudança, sem onerar o quadro social.
Na visão dos marketeiros do Clube, esses recursos viriam da pintura publicitária do telhado dos hangares, e do enorme estacionamento interno.
Solução:

A enorme distância entre as pretensões do Clube e os valores usualmente pagos por esse tipo de publicidade,evidenciavam que a solução não poderia ser ortodoxa.
Em uma reunião com a diretoria da Firjan, conhecemos a De Fournier, um escritório de arquitetura internacional, com sede na Urca, com quem começamos a elaborar um estudo alternativo.
Ouvimos as associações de moradores, acadêmicos, autoridades, gestores do Patrimônio Histórico (Iphan e Inepac).
Pesquisamos os arquivos da cidade e do Clube, para entender as transformações que possibilitaram a construção do Clube sobre uma faixa de areia na área de Marinha.
Por fim a De Fournier nos apresentou a solução final, que previa uma revolução urbana, envolvendo concessões, permutas imobiliárias, impacto direto sobre os transportes e um legado para a população, sem um único centavo de custo para a população e os sócios do ICRJ.
As alterações (vistas nas imagens acima), previam:
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a reorganização do uso no espaço chamado "Quadrado", na Urca, servindo com embarcadouro público para passeios na baía;
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a construção de um Hospitality Center para a Vela junto ao Quadrado;
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a incorporação da Estação de Lançamento de esgoto da Cedae; do Restaurante Sol e Mar; do quartel do Corpo de Bombeiros; do Clube Guanabara; e da piscina do Clube Botafogo;
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a construção de três marinas protegidas das ressacas para guarda de veleiros (duas do ICRJ e uma do Guanabara);
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a reconstrução dos hangares do Iate entre a rua General Severiano e a Praia de Botfogo, baixando suas cúpulas para permitir a visão da enseada a partir da Av. Pasteur;
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a construção de uma Escola Pública de Vela onde hoje funciona o Sol e Mar;
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a modernização e remodelagem do posto de gasolina na Av. Pasteur;
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a construção de um Hospital especializado para afogentos no local onde funciona o quartel dos Bombeiros;
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a construção de duas torres de edifícios no local da Estação de Esgotos e parte do Clube Guanabara;
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a construção de um pier de dois andares sobre a lâmina d`água, permitindo a ligação marítima entre o Pasmado, Niterói, a Cidade Universitária, no Fundão e o Aeroporto Internacional do Galeão;
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a construção de um polo gastronômico de frutos do mar no piso inferior do Pier;
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a construção de um terminal de transportes (hub) entre a zona sul e o centro da cidade no terreno do Clube Guanabara;
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a construção de um túnel de acesso para pedestres, entre a estação Botafogo do Metrô e o terminal;
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a relocação de toda a área do Clube Guanabara para os andares superiores das novas edificações;
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a construção de um monumento na extremidade do Pier em celebração aos Jogos Olímpicos na cidade.
Desfecho:

Não precisa ser morador do Rio para saber que o projeto não aconteceu.
Fomos às últimas instâncias: conseguimos as licenças do Patrimônio Histórico; a autorização do Governador Pezão para as permutas dos terrenos do estado; o apoio das associações de moradores; o interesse do Fundo de Previdência da Vale em financiar todo o empreendimento em troca das duas torres de edifícios.
O que deu errado?
Depois que reunimos todas as condições e apresentamos o projeto final ao Conselho do Iate Clube, inclusive com os recursos para a obra, o Conselho se dividiu sob alegações difusas e de interesses subjetivos.
Na sequência, o então prefeito Eduardo Paes não autorizou a obra, sob a alegação que o foco, nos Jogos Olímpicos, seria o seu projeto do Porto Maravilha.
Registro aqui o agradecimento à maravilhosa equipe da De Fournier, começando pelo próprio Henri Michel, e com destaque para os brilhantes arquitetos Rodrigo Rinaldi e Charbel Capaz, parceiros fundamentais deste e de outros dois projetos que fizemos juntos: Jardim de Alah e Villa Riso.
















