
RECICLASA - Novos usos para antigos materiais
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Desfecho:
IBM Brasil através da RKF Assessoria
Com a definição dos ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU - Organização das Nações Unidas, no início dos anos 2000, a RKF, ainda conduzida pelo saudoso Renato Kamp e sua sócia Patrícia Moreno, provavelmente inspirados pelo sucesso da Casa Cor, criaram o Projeto Reciclasa e, no final de 2004, captaram seu patrocínio junto à IBM Brasil.
O projeto consistia numa casa totalmente construída com materiais descartados, focando no conceito dos 3R's - Reutilizar, Reaproveitar e Reciclar, e precisaria ser exibida em 10 cidades das diferentes regiões do país.
O primeiro desafio estava no próprio enunciado do projeto: como construir uma casa, promover sua visitação e depois desmontá-la para reconstruir em outra cidade? Onze vezes.
Os demais desafios não eram de menor monta. O conceito implicava na utilização de materiais recolhidos diretamente do lixo, fosse para usar como matéria prima, fosse para reaproveitar diretamente na construção, desconstruindo preconceitos e valores de uma sociedade acostumada ao luxo e desperdício?
Por fim, mas não menos importante, a IBM exigia um qualidade total no projeto, da concepção ao desfecho final.
Optamos por modificar o projeto, construindo - no lugar da casa - uma estrutura modulável, com cinco estandes-cômodos em painéis de MDF estruturados com perfis embutidos de metalon. Nessa decisão nos orientou o Arquiteto Marcos Tavares, com larga experiência expositiva conquitada no SENAI Nacional.
Os cômodos eram: uma sala de visita com 64m2; um quarto de casal com 32 m2; um quarto de crianças; um escritório e uma copa-cozinha, com 20m2 cada.
No centro - ou à frente - da montagem, criamos um jardim modulável para exibir os componentes dessa área.
Todos os materiais reunidos e expostos dentro da Reciclasa, fossem móveis, louças, enfeites, vestuário, cama e mesa, brinquedos, tudo, era feito com materiais reutilizados, reciclados ou reaproveitados.
E no jardim, junto com bancos, pisos, flores etc., colocamos displayers em MDF para exibir materiais construtivos, acabamentos, telhas, tubulações, mobiliário urbano, enfim, tudo que conseguimos identificar no mercado com qualidade, em processo produtivo com escala industrial ou artesanal, mas com consistência de oferta, derivado dos 3R's.
Para realizar o projeto, criamos três curadorias distintas e convidamos profissionais de notório saber em cada área: Pólita Gonçalves, fundadora do coletivo Lixo.Com ficou com a parte da Reciclagem e Reaproveitamento de Lixo; Amélia Zaluar cuidou de Arte & Decoração, e o Arquiteto Roberto Coutinho concluiu a forma da estrutura cênica e identificou os materiais, de brita feita com plástico moído a piso de quadra esportiva feito com pneu moído.
O Catálogo também se tornou uma obra primosa nas mãos de Eneida Dechery e a Reciclasa debutou no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, passando pelo Centro Vergueiro, em São Paulo, Dragão do Mar em Fortaleza, Jardim Botânico de Curitiba e o Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro. Passou também por Natal, Goiania, Porto Alegre, Caxias do Sul, Juiz de Fora e São José dos Campos.
Em cada cidade ofereceu palestras, debates e oficinas. Foi documentado e divulgado na grande imprensa brasileira com direito a matéria no Jornal Nacional, Jornal da Band, SBT, Record e Cultura.
Depois de dois anos de itinerância, o projeto foi finalmente instalado num parque de educação ambiental na idade de Hortolândia, tendo conquistado para a IBM o Prêmio Urbanidade do IAB do ano de 2007.












